Introdução Histórica à Cerâmica

É difícil estabelecer o momento exacto da descoberta do processo de fabrico de um corpo cerâmico, isto é, a sequência de etapas que levam à transformação de um pedaço de argila numa peça cerâmica. De notar que as argilas ou barros são o resultado da decomposição de rochas variadas (granito, arenito, quartzo, etc.), processo que decorre lentamente ao longo de milhares de anos. Apresentam como característica fundamental, forma lamelar. É esta característica que lhes dá plasticidade. Havendo um filme de água entre duas partículas de argila (lamelares), estas deslizam entre si e mantêm a forma que se lhes der.


Quando o homem pré-histórico descobre o fogo e a sua capacidade para endurecer o barro, todo um mundo de possibilidades se abre perante ele. Mas será apenas no Neolítico, quando o homem se sedentariza e se dedica pela primeira vez à agricultura e pastorícia que a cerâmica se vai desenvolver e difundir.


No que toca às formas, as mais comuns começaram por ser a caliciforme e a campaniforme. Uma vez decoradas e secas, estas peças deviam adquirir dureza, o que só era possível mediante a cozedura. Supõe-se que as primeiras peças cerâmicas tenham sido cozidas nas mesmas fogueiras onde se cozinhavam os alimentos. A estas fogueiras sucederiam os fornos primitivos, que seriam aperfeiçoados a pouco e pouco.


A descoberta do vidrado entre 2000 e 1000 anos a.C., constituiu um grande passo em frente para o revestimento dos cerâmicos, não só ao nível decorativo como também utilitário, já que este permitiu tornar as peças impermeáveis, dotando-as para novas funções.


O avanço do controlo do fogo permitiu obter ciclos de cozedura não só mais rápidos como também obter temperaturas mais elevadas. Por outro lado, o avanço da Química permitiu entender o comportamento das matérias-primas quando misturadas entre si e submetidas à acção do calor. Estes dois pilares de desenvolvimento específico, a par do avanço tecnológico geral, permitiram que a cerâmica, como material, se tivesse desenvolvido de tal forma que hoje pode ser vista no revestimento do “Space-Shuttle” ou em discos de travão de automóveis.

Todos nós, diariamente nos deparamos com este material, utilizado nas mais diversas funções. Apesar de ser um material muito antigo, as suas propriedades fazem-nos acreditar que o futuro também a ele pertence.

 

Terracota

Designa-se por Terracota, que significa “terra cozida”, um tipo de material cerâmico de cor avermelhada e com alguma porosidade. Este material resulta da mistura de barros vermelhos (ricos em Óxido de Ferro), com Areia e Calcite que depois é cozida a cerca de 980 ºC.


Este material é utilizado no fabrico de louça tradicional, utilitária e decorativa. Utensílios de cozinha, assim como jarras ou vasos para plantas são vulgares em Terracota.


As peças de Terracota podem ser vidradas. A loiça de cozinha é normalmente vidrada, uma vez que o vidro garante condições higiénicas que não seriam possíveis com um material poroso.

O vidrado, depois de aplicado à peça, requer uma segunda cozedura do corpo cerâmico. Durante esta cozedura, efectuada a cerca de 1050 ºC o vidro funde e liga-se à peça, ficando esta com um aspecto brilhante depois de cozida.

 

Faiança

A faiança difere da terracota unicamente pelo facto desta apresentar cor branca em vez de vermelha, em virtude do baixo teor de ferro. Relativamente à composição da pasta, não são utilizadas sílicas ferrocinosas mas sim cauliníticas-ilíticas. Estas são menos refractárias devido ao teor de Al2O3, daí que a temperatura de cozedura da faiança seja superior à da terracota.

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